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A
LENDA DA DESCOBERTA DO VINHO Não podendo suportar a visão do pássaro, supremo símbolo do bem, ameaçado de ser devorado pelo mais abjeto símbolo do mal, Jamshid ordenou a seu melhor arqueiro que matasse a cobra. Momentos depois, a serpente caia no chão com a cabeça transpassada por uma flecha. O pássaro voou então em direção ao sol em comemoração da vitória do bem sobre o mal e depois mergulhou, pousando aos pés de Jamshid. Então abriu o bico e deixou cair algumas brilhantes sementes verdes. Jamshid jamais havia visto sementes como aquelas e, quando ia questionar o pássaro a respeito, ele já havia voado para longe. Ninguém, dentre os melhores jardineiros e as pessoas mais sábias do reino, conseguiu identificar as estranhas sementes. Então o rei ordenou que fossem plantadas nos solos mais férteis dos jardins reais. Elas germinaram e no verão lançaram largas folhas. Ao chegar o inverno seus ramos secaram e se encolheram, como se quisessem se proteger do frio, mas ao chegar a primavera, reviveram e produziram seus primeiros frutos maduros. O jardineiro levou-os até o rei, que os examinou maravilhado. Os frutos eram tão estranhos quanto as sementes que os produziram. Em cada haste nascia não um fruto, mas de vinte a quarenta bagas redondas, de um azul escuro e aveludado. A casca se rompia com facilidade, deixando escorrer o sumo. A fim de que nem uma gota fosse perdida, Jamshid determinou aos servos que reunissem o sumo de todos os frutos e o guardassem em grandes recipientes. Uma tarde, o rei voltou
ao palácio
depois de um longo dia de caçada sob um sol ardente. Decidiu
então experimentar uma taça do misterioso suco, imaginando
que seria uma refrescante bebida fermentada. Assim que tomou o primeiro
gole, cuspiu-o longe. Acontece que Jamshid possuía uma linda jovem escrava, que se tornara sua favorita. Um dia, enquanto ele viajava, ela se sentiu violentamente mal, sofrendo horríveis dores de cabeça que médico algum da corte conseguiu curar. A dor era tão intensa que ela decidiu se matar. Lembrando-se do estranho suco e do aviso do rei de que era veneno, tomou um copo e, para sua surpresa, descobriu que não era amargo como o rei dissera. Para ter a certeza de que morreria, tomou um segundo copo e, em seguida, um terceiro. Finalmente, caiu num sono profundo. Quando acordou, a terrível dor de cabeça passara. Embora sentisse a boca seca, acreditou que estava curada. Quando o rei voltou ao palácio, ela confessou o que fizera e descreveu a cura miraculosa que a bebida trouxera. Como Jamshid amava a jovem escrava, não a puniu. Ao invés disso, pediu o suco para experimentar. Provou-o, cautelosamente no início e, em seguida, com um prazer cada vez maior. Sem conseguir disfarçar seu deleite, decretou que a bebida fosse usada como remédio por todo o povo. O efeito foi tão benéfico, principalmente entre os mais velhos, que a bebida passou a se chamar daru-shah, o remédio do rei. Esta, segundo a lenda, é a
origem da uva e da descoberta do vinho. Seja como for, as parreiras
são originárias do Oriente Médio e foi ali que,
num dia há muito esquecido, o suco de uvas se transformou
em vinho, há cerca de 7000 anos.
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Restaurante Amigo do Rei ®
- 1998 / 2007
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