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A COBRA E O PASTOR

Era uma vez um pastor que estava sentado junto à entrada de uma caverna.
Aproveitava uma sombra enquanto suas poucas ovelhas iam pastando.
De repente, ouviu uma voz que vinha da caverna:
_Pastor, pastorzinho, estou com fome! Será que você podia me arranjar um pouco de leite das suas ovelhas?
O pastor demorou a perceber, na semi-escuridão, quem assim falava e sentiu
muito medo quando viu que tinha sido uma enorme cobra. Acalmou-se quando
concluiu que afinal de contas ela não o atacara. Terminou por sentir pena do bicho e fez o que lhe era pedido. Ordenhou bastante leite e colocou uma vasilha bem cheia na porta da caverna. .
Depois que a serpente tomou o leite o pastor recolheu a vasilha e preparava-se para ir embora quando a cobra disse:
_Espere um instante, por favor.
Em seguida foi para o interior da caverna e de lá trouxe uma reluzente moeda
de ouro e depositou-a onde estivera a vasilha, dizendo:
_Pode levar esta moeda. Se quiser, pode me dar leite amanhã também, eu
gostaria muito... Mas não conte a ninguém o que aconteceu aqui.
O pastor, muito contente com o episódio, foi embora e voltou todos os dias.
Dava uma generosa quantidade de leite para a grande cobra e levava sempre a
sua preciosa moeda. Em pouco tempo possuía uma grande quantidade de ovelhas, construiu uma bela casa e vivia muito satisfeito.
Um dia resolveu fazer uma grande viagem e, embora já fosse um homem rico, achou que não devia abrir mão das moedas diárias enquanto viajava. Assim, esquecendo-se da promessa de segredo que fizera, chamou o filho, contou o que há muito tempo vinha acontecendo e ensinou o que o filho deveria fazer.
Depois que partiu, o filho achou que ia dar muito trabalho ir lá todos os dias e que seria mais fácil entrar na caverna, matar a cobra e apanhar de uma vez o tesouro todo que, pelo visto, devia ser imenso.
Assim fez! Foi até a caverna, entrou, e quando viu a cobra desferiu um golpe com a espada. Mas, como a cobra era muito rápida, esquivou-se e perdeu apenas um pedaço do rabo ao mesmo tempo em que picava o rapaz, que morreu instantaneamente, tão poderoso era o veneno da cobra. A cobra levou para longe da caverna o corpo do jovem e voltou a viver sua vida, triste por lhe faltar um pedaço do rabo.
Quando o pai voltou da viagem e soube que o filho havia morrido picado por uma cobra, imaginou exatamente o que havia acontecido. Passou a detestar a antiga amiga. Mas o tempo foi passando e um dia refletiu que, afinal de contas, podia ir conversar com a cobra, que devia estar sentindo falta do leite que lhe dava. Conversaria e teria suas moedas novamente.
Assim fez. Foi até a caverna e a cobra lhe mostrou que havia ficado sem um
pedaço do rabo. Contou em detalhes tudo o que acontecera. O pastor disse que muito tempo se passara, que era hora de colocarem uma pedra sobre o assunto e voltarem ao trato antigo.
_Não, disse a cobra. Isso não é possível. Toda vez que nos encontrarmos eu vou pensar no meu rabo e você; vai se recordar do seu filho! .
Daí, no Irã, existe um dito popular. Quando uma coisa não é mais boa, ou não tem conserto, ou deve ser evitada, dizem:
"Eu vou me lembrar do meu rabo e você vai se lembrar do seu filho!".

 

Restaurante Amigo do Rei ® - 1998 / 2007
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